14 Fatores de Risco para Alzheimer: O Guia Definitivo do Para a Prevenção da Demência

Sabemos que o Alzheimer e outras demências são, talvez, os maiores medos que temos quando pensamos no nosso envelhecimento. É comum (mas não é normal!) ver a pessoa idosas perdendo a memória e a funcionalidade, o que nos assusta profundamente.

Mas aqui está uma verdade que você precisa internalizar: o envelhecimento saudável não é loteria. É construção, e cerca de 60% dos casos de demência poderiam ter sido evitados no Brasil com intervenções no estilo de vida. Você não pode mudar a genética, mas pode mudar os hábitos e o ambiente.

Vamos mergulhar nos 14 principais fatores de risco para o Alzheimer e outras demências, e descobrir como combatê-los ativamente.

O cérebro é um órgão altamente vascularizado, portanto, o que faz mal ao seu coração, faz mal ao cérebro.

1. Hipertensão Arterial (Pressão Alta)

A pressão alta é um fator de risco modificável para o declínio cognitivo. É essencial que se mantenha o tratamento e monitore a pressão regularmente, pois a hipertensão é um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) que impactam a saúde cerebral.

2. Diabetes Mellitus (Açúcar no Sangue)

O diabetes não controlado é um fator de risco grave para o declínio cognitivo e para a demência vascular. O controle rigoroso da glicemia é crucial para proteger os vasos sanguíneos do cérebro.

3. Colesterol Alto (Dislipidemias)

O colesterol alto (hiperlipidemia) contribui para o risco de DCV e, consequentemente, para o declínio cognitivo. Acompanhamento médico, controle da alimentação e exercícios físicos são indispensáveis.

4. Obesidade e Sobrepeso

O excesso de peso é um fator de risco para doenças cardiovasculares, consequentemente para doenças cerebrais, e tem sido associado ao aumento do risco de quedas. Alguns estudos em países de baixa e média Renda a obesidade está fortemente associada ao risco maior de desenvolver demência.

5. Sedentarismo e Inatividade Física

O exercício físico regular, especialmente o treino de força, é a maior poupança que podemos fazer para a saúde óssea e muscular. A inatividade não só enfraquece os músculos (sarcopenia) e os ossos (osteoporose), mas também prejudica o funcionamento cerebral. O ganho de massa muscular libera substâncias que aumentam as conexões cerebrais, atuando como um fator de prevenção de demência.

6. Tabagismo

O uso de tabaco é um fator de risco comportamental que agrava o risco de DCV e cerebrais, contribuindo para a perda cognitiva. A cessação do tabagismo é uma medida de prevenção essencial.

7. Uso Nocivo de Álcool

O consumo de álcool é um fator de risco comportamental que afeta a saúde física, mental e cognitiva, portanto, evitá-lo é uma estratégia de prevenção. Atenção: Não existe dose segura para consumo de álcool, qualquer dose, mesmo que mínima, já é nociva ao organismo.

8. Baixa Escolaridade

A baixa escolaridade tem sido identificada como um dos maiores fatores de risco para demência no Brasil. Por isso, o estímulo cognitivo e o aprendizado contínuo são cruciais. O cérebro precisa de estímulo constante. Aprender novas habilidades (seja uma língua, um instrumento ou um hobby diferente) cria novas conexões cerebrais, fortalecendo a poupança cognitiva e prevenindo a demência.

9. Perda Auditiva Não Corrigida

A perda auditiva (presbiacusia) é um fator de risco potencialmente modificável para a demência. A capacidade de ouvir e processar informações auditivas é essencial para o desenvolvimento cerebral. Se o idoso não ouve bem ou não consegue interpretar o que ouve, o cérebro não processa, favorecendo o declínio cognitivo. A correção da audição é um fator de prevenção fundamental.

10. Perda da Visão Não Controlada

Todas as informações que nosso cérebro processa dependem do que sentimos, ouvimos ou enxergamos. A deficiência visual não corrigida afeta diretamente o processamento das informações no cérebro, consequentemente favorece o declínio cognitivo. Manter em dia as visitas ao oftalmologista é uma forma eficaz de prevenção de demência.

11. Isolamento e Inatividade Social

A solidão é um sentimento predominante na população idosa e a falta de interação social é um fator de risco que favorece quadros de demência. Manter uma rede social forte e participar ativamente em grupos comunitários é um fator de proteção.

12. Depressão e Ansiedade Não Tratadas

O não tratamento de transtornos de humor aumenta o risco de desenvolver demência. Isso acontece porque a depressão e a ansiedade modificam a maneira de funcionamento do nosso cérebro e isso favorece o surgimento de perdas cognitivas. A depressão e a ansiedade, quando não tratadas, contribuem também para o risco de quedas.

13. Traumatismo Craniano

O traumatismo craniano causa lesões e inflamações que matam os neurônios ou interrompem a comunicação entre eles. Esse dano acelera o envelhecimento cerebral e favorece o acúmulo de proteínas tóxicas, similar ao que ocorre no Alzheimer. A longo prazo, essas ‘cicatrizes’ no cérebro comprometem o raciocínio e a memória, levando à demência, por isso a prevenção de quedas é um fator fundamental.

14. Poluição do Ar

Partículas tóxicas inaladas entram na corrente sanguínea e chegam ao cérebro, gerando uma inflamação crônica que mata os neurônios lentamente. Esse ‘ataque’ diário priva o cérebro de oxigênio e acelera o envelhecimento cognitivo. Com o tempo, o efeito cumulativo dessas lesões silenciosas diminui a resistência mental do idoso, facilitando o surgimento do Alzheimer e outras demências.

Conclusão

Por fim, é fundamental compreender que prevenção não significa uma ‘blindagem’ infalível contra a demência. Talvez você conheça alguém que, mesmo com hábitos saudáveis e protegidos, tenha desenvolvido a doença. No entanto, é preciso olhar para o cenário completo: esses casos representam a minoria, uma exceção à regra. A grande massa de diagnósticos está diretamente ligada ao acúmulo de fatores de risco ao longo da vida. Portanto, não desanime: adotar medidas preventivas continua sendo indispensável e é nossa arma mais poderosa. Embora não exista risco zero, a prevenção diminui drasticamente as chances de adoecer e oferece o melhor caminho para uma longevidade com lucidez.

Referências:

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