Atitudes que adoecem cuidadores de pessoas idosas: conheça para evitar

Olá, queridos cuidadores e familiares! É um prazer estar aqui novamente para mais uma conversa importante. Hoje, vamos tocar em um ponto crucial para a sua saúde e bem-estar: as atitudes que, sem querer, podem te adoecer e tornar a rotina de cuidados com o idoso ainda mais pesada.

Sabemos que cuidar de alguém é um ato de amor e dedicação, mas também pode ser exaustivo. Por isso, é fundamental reconhecer e evitar certos hábitos que podem te levar ao limite.

Cuidar de um idoso, seja ele lúcido ou com algum grau de demência, é uma maratona. E, como em toda maratona, você precisa estar bem para cruzar a linha de chegada. Algumas atitudes, no entanto, agem como pesos invisíveis que, com o tempo, podem esgotar sua energia.

1. Ignorar seus próprios limites (ou ser um “super-herói” sem capa):

  • O que acontece: Você tenta fazer tudo sozinho, não pede ajuda e se sobrecarrega. Acha que precisa ser forte o tempo todo e que não pode falhar.
  • Por que adoece: A sobrecarga leva ao estresse do cuidador, esgotamento físico e mental, insônia e até problemas de saúde. É impossível ser eficiente se você não está bem.
  • Dica: Reconheça que você não precisa dar conta de tudo. Peça ajuda a outros familiares, amigos ou profissionais. Delegue tarefas sempre que possível.

2. Isolar-se socialmente:

  • O que acontece: A rotina intensa de cuidados faz com que você se afaste de amigos, hobbies e atividades que antes te davam prazer.
  • Por que adoece: O isolamento social aumenta a sensação de solidão, tristeza e pode levar à depressão no cuidador. O ser humano precisa de conexão.
  • Dica: Esforce-se para manter contato com pessoas queridas. Reserve um tempo, mesmo que curto, para um café com um amigo, uma ligação ou um bate-papo. Sua vida fora do papel de cuidador importa!

3. Negligenciar sua saúde (o “deixa para depois”):

  • O que acontece: Você adia consultas médicas, não se alimenta direito, pula exercícios e não dorme o suficiente, sempre priorizando as necessidades do idoso.
  • Por que adoece: É como tentar encher um balde furado. Se você não se cuidar, sua saúde física e mental vai despencar. Isso te deixará ainda mais vulnerável e menos capaz de cuidar de quem precisa.
  • Dica: Encare sua saúde como prioridade. Agende suas consultas, prepare refeições nutritivas, tente caminhar um pouco e priorize o sono. Lembre-se: cuidar de si é cuidar melhor do outro.

4. Culpar-se por tudo (o “peso nas costas”):

  • O que acontece: Você se sente culpado por pequenos erros, por não conseguir fazer mais ou por sentir-se cansado. Acha que deveria ser mais paciente ou mais forte.
  • Por que adoece: A culpa constante gera um ciclo vicioso de ansiedade, baixa autoestima e sentimentos negativos. Ninguém é perfeito, e você está fazendo um trabalho heroico.
  • Dica: Seja gentil consigo mesmo. Reconheça seus esforços e acertos. Permita-se sentir as emoções – é normal sentir frustração ou cansaço. Converse com alguém sobre seus sentimentos.

5. Ter expectativas irreais:

  • O que acontece: Você espera que o idoso sempre melhore, ou que o quadro de demência não avance. Ou, ainda, espera que a gratidão seja constante e que as dificuldades desapareçam.
  • Por que adoece: A realidade nem sempre corresponde às nossas expectativas, especialmente em doenças progressivas como a demência. A frustração e a desilusão podem ser devastadoras.
  • Dica: Busque informações realistas sobre a condição do idoso. Entenda os desafios e as limitações. Celebre as pequenas vitórias e adapte-se às mudanças.

A diferença na carga: idosos lúcidos vs. idosos com demência

É importante reforçar que, embora todas essas atitudes prejudiquem o cuidador, a intensidade e o tipo de estresse podem variar bastante dependendo se o idoso é lúcido ou apresenta demência.

  • Cuidar de um idoso lúcido: A rotina pode ser mais leve em termos de demandas cognitivas, mas ainda pode gerar sobrecarga física, emocional e social. A dificuldade muitas vezes está em lidar com a diminuição da autonomia do idoso e com suas próprias frustrações. O diálogo é mais presente, e a autonomia do idoso ainda permite mais escolhas, mas as demandas físicas podem ser altas.
  • Cuidar de um idoso com Alzheimer ou outras demências: A carga é, muitas vezes, significativamente maior devido à imprevisibilidade da doença, à perda progressiva das funções cognitivas e à necessidade de supervisão constante. O cuidador precisa lidar com alterações de comportamento, desorientação e, muitas vezes, a perda de reconhecimento. A comunicação se torna mais desafiadora, e a dependência do idoso é quase total, o que exige um esforço físico e mental enorme do cuidador. A saúde do cuidador de idoso com demência é um ponto de atenção ainda mais crítico.

Em ambos os casos, a mensagem é a mesma: você importa. Seu bem-estar é a base para um cuidado de qualidade.

Então, profissional de saúde ou familiar, qual dessas atitudes você sente que mais te afeta? Pensar sobre isso é o primeiro passo para mudar e construir uma rotina de cuidados mais saudável e sustentável para todos. Cuide-se para cuidar!

Para construir as referências bibliográficas do texto fornecido seguindo as normas da ABNT (NBR 6023), foram selecionadas fontes oficiais e científicas pertinentes aos temas abordados (estresse do cuidador, saúde do idoso, demência e orientações de bem-estar).

As referências abaixo foram extraídas e adaptadas dos materiais disponíveis:

Referências:

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NUNES, D. P. et al. Cuidadores de idosos e tensão excessiva associada ao cuidado: evidências do Estudo SABE. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 21, supl. 2, e180020, 2018.

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