Presente de Grego: O Que Riscar da Lista ao Pensar no Presente para Pessoa Idosa

Você já parou para pensar que aquele presente escolhido com tanto carinho pode se tornar uma armadilha dentro de casa? Quando falamos em presentear quem já passou dos 60 anos, o conforto costuma ser a prioridade. Porém, é justamente na busca pelo “confortável” que mora o perigo.

Hoje, vamos falar sério sobre um dos maiores inimigos da segurança na terceira idade: os calçados inadequados. Vamos entender por que aquele chinelinho de dedo ou aquela pantufa fofinha podem ser o passaporte para uma queda grave e como escolher a opção certa.

O Perigo Mora nos Pés: O Que Riscar da Lista de Presentes

Pode parecer exagero, mas as quedas são a principal causa de acidentes em idosos. Estudos recentes, como o Manual de Prevenção de Quedas para Idosos (2021), indicam que fatores externos, incluindo o uso de calçados incorretos, são determinantes para esses acidentes.

Portanto, se você quer proteger quem você ama, NÃO dê de presente:

Chinelos de Dedo: Eles não prendem no calcanhar. O idoso precisa fazer uma “garra” com os dedos para segurar o calçado, o que altera a marcha e facilita tropeços em tapetes, degraus, desníveis no chão ou qualquer objeto que estiver no caminho.

Crocs: A frente alta deste tipo de calçado pode dificultar a troca do passo, aumentando o risco de tropeções e quedas

Tamancos Abertos: Embora pareçam práticos, a falta de fixação traseira torna o passo instável, sem contar que se o pé suar ou escapar, o tombo é quase certo.

Chinelos de Pano (Pantufas) sem Solado Antiderrapante: São muito lisos. Em pisos encerados ou úmidos, funcionam como um sabão, aumentando drasticamente o risco de escorregões.

Idoso Lúcido vs. Idoso com Demência: As Estratégias Mudam

A escolha do presente ideal não depende apenas do pé, mas também da cabeça. A abordagem precisa ser diferente para garantir a segurança sem ferir a autonomia.

1. Para o Idoso Lúcido: Negociação e Vaidade

O idoso lúcido preserva sua autonomia e, muitas vezes, sua vaidade. Ele pode insistir em usar um sapato de salto ou um chinelo velho porque “sempre usou”.

O Desafio: Conscientizar sem impor. A “teimosia”, muitas vezes, é uma forma de afirmar que ele ainda está no controle, e de fato está, afinal, a idade não é limite para tomada de decisões quando se trata de uma pessopa idosa lúcida.

A Solução: Aposte no diálogo. Explique que o calçado seguro preserva a independência dele, evitando fraturas que o levariam para uma cama. Procure modelos que unam beleza e segurança (solado firme, mas com design bonito).

Dica de Ouro: Se ele tiver problemas como joanetes, busque modelos específicos com tecidos flexíveis que não apertem e não causem dor, evitando que ele tire o sapato e ande descalço.

2. Para o Idoso com Alzheimer ou Outras Demências: Adaptação e Praticidade

Aqui, a percepção de risco está comprometida. Além disso, doenças como Parkinson ou Demência por Corpos de Lewy podem causar rigidez e passos arrastados, o que exige um calçado que não “agarre” no chão, mas que não solte do pé,.

O Desafio: Eles podem não saber amarrar cadarços (perda da praxia) ou não entenderem o risco de um chinelo solto.

A Solução: Velcro é vida! Facilita o calçar e ajustar, garantindo que o sapato fique firme sem depender de laços complexos.

Segurança Extra: Como a mobilidade pode ser reduzida e o equilíbrio instável, o calçado deve ter contraforte (a parte de trás) firme para segurar o calcanhar e solado antiderrapante para evitar deslizes no banheiro ou cozinha.

O Checklist do Calçado Ideal (Para Copiar e Levar na Loja)

Para não errar no presente, verifique se o sapato cumpre estes requisitos técnicos recomendados por especialistas em gerontologia:

1. Fechado atrás: O calcanhar devem esta protegido e preso.

2. Firme no peito do pé: Pode ser com tiras largas ou fechado.

3. Solado Antiderrapante: Fundamental para aderência em pisos lisos.

4. Ajustável: Prefira velcro ou elásticos laterais. O pé do idoso pode inchar ao longo do dia, e o ajuste evita que o sapato aperte e cause lesões na pele, que já é mais fina e sensível.

5. Salto Baixo e Largo: Base larga oferece mais estabilidade. Evite saltos finos ou plataformas muito altas. O ideal é o salto tenha, no máximo, 2 cm, tanto para homens quanto para mulheres.

Conclusão: Presenteie com Cuidado

Dar um calçado adequado é um ato de amor e prevenção. Ao trocar o chinelinho solto por um sapato firme e seguro, você não está apenas vestindo os pés, está protegendo a vida, a mobilidade e a independência do idoso. Lembre-se: a queda é um evento que divide a vida do idoso em “antes e depois”. O melhor presente é aquele que garante que o “depois” continue sendo ativo e feliz.

Referências:

Organização Mundial da Saúde (OMS)

  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. ICOPE: Integrated care for older people handbook: guidance for person-centred assessment and pathways in primary care. 2. ed. Geneva: World Health Organization, 2024.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. Step safely: strategies for preventing and managing falls across the life-course. Geneva: World Health Organization, 2021.

Ministério da Saúde

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 502, de 27 de maio de 2021. Dispõe sobre o funcionamento de Instituição de Longa Permanência para Idosos. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 110, 31 maio 2021.

Alzheimer’s Disease International

  • ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. World Alzheimer Report 2022: Life after diagnosis: Navigating treatment, care and support. London: Alzheimer’s Disease International, 2022. (Nota: Embora o relatório específico de 2022 não esteja detalhado nos trechos, a organização é citada como referência técnica em cuidados globais).

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)

  • LEMOS, Naira Dutra; NEBULONI, Clarice Cavalero (Revisão). Estatuto da Pessoa Idosa: 20 anos. Rio de Janeiro: SBGG, 2023.
  • FREITAS, Elizabete Viana de; PY, Ligia (Orgs.). Tratado de geriatria e gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.

Artigos Científicos e Guidelines Recentes (Últimos 2-3 anos)

  • MONTERO-ODASSO, Manuel et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults: a global initiative. Age and Ageing, v. 51, n. 9, p. 1-36, set. 2022.
  • BATMANI, S. et al. Prevalence and factors related to urinary incontinence in older adults women worldwide: a comprehensive systematic review and meta-analysis. BMC Geriatrics, v. 21, n. 212, 2021.
  • LI, Z.; GUO, H.; LIUX, X. What exercise strategies are best for people with cognitive impairment and dementia? A systematic review and meta-analysis. Archives of Gerontology and Geriatrics, v. 124, p. 105450, 2024.
  • PERRACINI, Monica R.; FLÓ, Cláudia M. Funcionalidade e envelhecimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
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