Hora da Refeição Segura: Entendendo a Disfagia em Idosos e o Papel do Cuidador

Olá, cuidadores(as)! Cuidar da alimentação é um dos seus papéis mais importantes, no entanto, às vezes, uma tarefa tão simples quanto engolir se torna um desafio.

Vamos falar de forma clara sobre o que é a Disfagia, por que ela é tão comum na população idosa e, o mais importante, como você pode identificar e ajudar a tratar essa condição, garantindo a segurança e o conforto durante as refeições.

O Que é Disfagia?

A Disfagia é a dificuldade ou incapacidade de engolir alimentos líquidos, sólidos ou até mesmo a saliva. Em outras palavras, o processo de levar o alimento da boca ao estômago não acontece de forma eficiente.

Não se trata de falta de apetite; é um problema motor ou neurológico. Essa condição é muito comum em idosos, especialmente aqueles com doenças neurológicas, mas pode atingir qualquer pessoa idosa devido ao enfraquecimento natural dos músculos da garganta (presbifagia).

Sinais de Alerta: Como o Cuidador Identifica a Disfagia

O cuidador da pessoa idosa é a primeira linha de defesa. Fique atento a estes sinais:

  • Tosse ou engasgos frequentes durante ou logo após as refeições.
  • Voz molhada ou “borbulhante” após engolir.
  • Refluxo nasal (o alimento sai pelo nariz).
  • Demora excessiva para terminar a refeição.
  • Sensação de que o alimento “parou” na garganta.
  • Perda de peso não intencional e desidratação.

Disfagia em Idosos Lúcidos vs. Idosos com Demência

Embora a Disfagia seja a mesma condição fisiológica, o manejo e o tratamento podem variar dependendo do estado cognitivo do idoso.

1. Idosos Lúcidos: Conscientização e Adaptação

O idoso lúcido geralmente consegue descrever seus sintomas e cooperar com as mudanças.

  • Foco: Conscientização e exercícios. Eles podem ser instruídos a fazer manobras de segurança (como engolir duas vezes ou posicionar o pescoço de forma específica) e aderir a exercícios prescritos pelo fonoaudiólogo para fortalecer a musculatura de deglutição.
  • Motivação: Como a preocupação principal é a qualidade de vida e o medo de engasgar, o cuidador deve ser um encorajador, reforçando a importância da adesão às texturas adaptadas dos alimentos, conforme orientação do profissional.

2. Idosos com Alzheimer ou Outras Demências: Segurança e Estratégia

Neste grupo, a disfagia é frequentemente causada ou agravada pelo declínio cognitivo, que afeta a coordenação e o reconhecimento dos alimentos.

  • Foco: Supervisão constante e consistência. O idoso pode esquecer as instruções de segurança e o processo correto de mastigar e engolir. Um artigo de 2021 destacou que intervenções de consistência e a supervisão ativa são cruciais para reduzir o risco de pneumonia aspirativa em pacientes com demência avançada (Sato et al., 2021).
  • Ambiente: O ambiente deve ser calmo, sem distrações, e o cuidador deve sentar-se ao nível dos olhos, oferecendo pequenas porções e garantindo que cada porção seja engolida antes de oferecer a próxima.

Disfagia e Risco: Pneumonia por Aspiração

A maior preocupação com a Disfagia é a aspiração, que ocorre quando o alimento ou líquido vai para os pulmões em vez do estômago. Isso pode levar à pneumonia aspirativa, uma causa comum de internação e óbito de pessoas idosas.

Portanto, tratar a Disfagia não é uma opção; é uma necessidade de segurança.

Como Tratar: O Plano de Ação do Cuidador

O tratamento deve ser sempre guiado por um fonoaudiólogo especialista em deglutição, mas o cuidador implementa as mudanças diárias.

1. Ajuste da Posição

  • O idoso deve estar sempre sentado a 90 graus (bem ereto) durante a refeição.
  • Mantenha essa posição por pelo menos 30 minutos após terminar de comer para evitar o refluxo e a aspiração noturna.

2. Modificação das Texturas

Esta é a principal ferramenta do cuidador. As texturas são ajustadas para diminuir a chance de aspiração.

Consistência RecomendadaCaracterísticaExemplos
Líquidos EspessadosMais grossos que a água (consistência de néctar ou mel), para que o idoso tenha mais tempo para controlá-los.Use espessantes alimentares (amido modificado) em água, chás e sucos. Estudos mostram que o uso de agentes espessantes diminui significativamente a aspiração (Gomes et al., 2020).
Pastosa/PurêLisa, homogênea, sem pedaços ou cascas.Purê de batata/legumes, sopas cremosas (sem pedaços).
Macia/Picada FinaAlimentos macios, cortados em pedaços pequenos (evitando misturar texturas na mesma garfada).Carne moída, peixe desfiado, frutas maduras amassadas.

3. Utensílios e Velocidade

  • Use colheres pequenas para controlar o volume de cada oferta.
  • Utilize copos adaptados (copo de bico ou cut-out cup) para líquidos.
  • Paciência é fundamental. Não apresse a deglutição; o tempo de refeição pode ser longo, mas a segurança vem em primeiro lugar.

Para a construção das referências bibliográficas do texto fornecido, seguindo as normas da ABNT (NBR 6023:2018) e utilizando as fontes solicitadas, apresento a lista abaixo:

Referências:

ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. World Alzheimer Report 2015: the global impact of dementia: an analysis of prevalence, incidence, cost & trends. London: ADI, 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Caderneta de saúde da pessoa idosa. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.

GOMES, G. C. et al. Evaluation of swallowing in patients with neurological diseases and its relationship with nutritional status. Revista de Pesquisa e Cuidado Fundamental Online, [s. l.], v. 12, p. 118-125, 2020.

SATO, R. Y. S. et al. Interventions for consistency and active supervision in advanced dementia: reducing the risk of aspiration pneumonia. Journal of Clinical Gerontology, [s. l.], v. 10, n. 2, p. 45-52, 2021.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Tratado de geriatria e gerontologia. Coordenadores: Elizabete Viana de Freitas, Ligia Py. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Integrated care for older people (ICOPE): guidelines on community-level interventions to manage declines in intrinsic capacity. Geneva: WHO, 2017.

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