A artrose, também chamada de osteoartrite (OA), é a doença articular mais comum no envelhecimento. Ela acontece devido ao desgaste da cartilagem que protege as pontas dos ossos, o que diminui a resistência mecânica e aumenta a vulnerabilidade a inflamações. Infelizmente, essa condição impacta diretamente a qualidade de vida do idoso, podendo gerar dependência e até depressão.
No entanto, o diagnóstico não é uma sentença de imobilidade. Além de tratamentos médicos, existem estratégias práticas de cuidado domiciliar que fazem toda a diferença. Portanto, preparamos este guia para ajudar você a identificar os sinais e agir de forma assertiva.
1. Identificando a Dor: O que observar?
Muitas vezes, o idoso não diz claramente que está com dor. Fique atento a estes sinais:
• Dificuldade para levantar da poltrona ou caminhar.
• Ruídos ou “estalos” ao movimentar joelhos ou quadril.
• Rigidez nas articulações logo ao acordar ou após muito tempo sentado.
• Inchaço e calor local em articulações como mãos ou joelhos.

2. Cuidados Importantes
O pilar central é o manejo individualizado e a decisão compartilhada.
• Autogestão e Autoeficácia: A pessoa idosa é a “peça principal” do tratamento, portanto, o cuidado deve ser focado no desenvolvimento de habilidades como definição de metas, resolução de problemas e educação sobre a doença. O foco do cuidado é sempre a pessoa e não a doença.
• Exercício Físico: Explique que o exercício físico é a primeira linha de tratamento e possui efeito analgésico. Medicações podem se fazer necessárias, e devem ser utilizadas apenas sob orientação médica. Mas é o exercício que garantirá a capacidade de movimentação e, consequentemente, mais independência.
• Metas reais: Ajude-o a escolher atividades que ele goste, como academia, Pilates, hidroginástica e até Tai Chi Chuan que é fortemente recomendado para osteoartrite de joelho e quadril.
• Controle do peso: Se o idoso estiver com sobrepeso, converse sobre a importância de perder peso para aliviar a carga nas articulações. Ajuda de nutricionista pode ser essencial no tratamento.
• Idosos com Demência (Alzheimer e outras): Quem tem Alzheimer muitas vezes perde a capacidade de verbalizar a dor. Nesses casos, a dor se manifesta como mudanças no comportamento. Dor = Agitação: Se o idoso ficar agressivo, chorar ou perambular sem parar, investigue se há dor articular. A dor é um gatilho clássico para a agitação em idosos com demência.

3. Dicas Práticas para o Dia a Dia
Para tornar a jornada mais leve, aplique estas orientações baseadas em evidências científicas recentes:
• Movimento é remédio: Ao contrário do que se pensou por muitos anos, a inatividade física agrava a rigidez. Antes havia a ideia que, mediante um quadro de artrose, o ideal era o repouso e quanto menos a pessoa se movimentar, melhor seria. A ciência já provou e comprovou que essa ideia não é verdadeira. Quanto mais movimento, melhor! Exercícios aeróbicos e de fortalecimento, bem orientados e conduzidos por profissionais capacitados, como fisioterapeutas e educadores físicos, ajudam a manter a funcionalidade e prevenir quedas.
• Calor local: O uso de compressas mornas pode ajudar a relaxar os tecidos periarticulares e diminuir a rigidez.
• Dispositivos de auxílio: O uso de bengalas é fortemente recomendado quando há instabilidade na marcha ou dor, pois reduz a carga na articulação doente.
• Cuidado com a automedicação: Nunca ofereça anti-inflamatórios por conta própria. Muitos remédios para dor aumentam o risco de quedas e confusão mental em idosos.

Referências:
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