Logo na 1ª semana de janeiro de 2026, a Anvisa deu sinal verde para este medicamento no Brasil, e o assunto está bombando na mídia. Mas calma, não é uma “cura milagrosa”. Por isso, preparei este guia direto para você entender o que muda na prática.
O que é o Lecanemabe?
Diferente dos remédios que já usamos há anos, que apenas tentam melhorar os sintomas, o Lecanemabe ataca a “sujeira” que se acumula no cérebro de quem tem Alzheimer: a proteína beta-amiloide.
De acordo com o estudo clínico Clarity AD, publicado no The New England Journal of Medicine (2023), o remédio conseguiu reduzir em 27% a velocidade com que a doença avança. Ou seja, ele ganha tempo de qualidade para o idoso.
O que você, cuidador, precisa saber (Dicas Práticas)
Para te ajudar a organizar essas informações, separei os pontos principais em tópicos:
- Diagnóstico Precoce é a Chave: O remédio só funciona no início da doença, ou seja, pacientes com transtorno cognitivo leve ou fase bem inicial do Alzheimer.
- Confirmação Biológica: Para iniciar o tratamento é obrigatório comprovar o acúmulo de amiloide no cérebro através de exames caros, como o PET de amiloide ou análise do líquor (LCR).
- Aplicação Hospitalar: Não é um comprimido. O paciente precisará ir ao hospital ou clínica a cada 15 dias para receber a medicação na veia (infusão).
- Monitoramento com Exames: A medicação ainda apresenta riscos de efeitos colaterais graves, por isso, durante o tratamento, são necessárias várias ressonâncias magnéticas para garantir que não haja edema ou hemorragias no cérebro (chamada ARIA).
- Custos: Como a aprovação da Anvisa é muito recente, o preço oficial no Brasil ainda passará pela regulação da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que define o valor máximo de venda. Por isso, ainda não encontramos o remédio nas farmácias com uma etiqueta de preço definitiva em Reais. No entanto, com base nos valores praticados nos Estados Unidos e nos custos de medicações similares já aprovadas (como o Donanemabe), podemos projetar o cenário financeiro: Nos EUA, o custo do Lecanemabe foi fixado em cerca de US$ 26.500 por ano. Em conversão direta (sem considerar impostos e custos de importação), isso equivale a aproximadamente R$ 130 mil a R$ 150 mil por ano.
- Não abandone o básico: A ciência prova que o tratamento farmacológico sozinho não faz milagre. O grupo de idosos que combina remédios com estratégias não farmacológicas (exercícios, boa alimentação e estímulo mental) apresenta resultados muito superiores.

Conclusão
Embora o Lecanemabe seja um marco, ele exige pés no chão. O seu amor e o cuidado diário continuam sendo o melhor remédio. Portanto, mantenha a rotina, estimule a independência do idoso e cuide também da sua própria saúde mental
REFERÊNCIAS:
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VAN DYCK, Christopher H. et al. Lecanemab in Early Alzheimer’s Disease (Clarity AD). The New England Journal of Medicine, [s. l.], v. 388, n. 1, p. 9-21, 2023.