Como a Terapia da Boneca Suaviza o Dia a Dia de Idosos com Alzheimer e Demências

Que tema bacana para conversarmos hoje: a Terapia da Boneca para nossos queridos idosos, especialmente aqueles com Alzheimer e outras formas de demência. Sei que muitos de vocês, cuidadores familiares e/ou profissionais, bem como profissionais das diversas áreas da saúde como médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e nutricionistas, buscam sempre o melhor para os idosos. Então, vamos entender juntos como essa terapia simples pode trazer tanto conforto e bem-estar.

A Terapia da Boneca é uma abordagem terapêutica não farmacológica que utiliza bonecas realistas para evocar sentimentos de carinho, proteção e familiaridade em idosos, principalmente aqueles com demência. Parece simples, não é? E realmente é! Mas os resultados podem ser surpreendentes.

Para Idosos com Demência:

Para idosos com Alzheimer ou outras demências, a Terapia da Boneca pode oferecer:

  • Redução da Agitação e Ansiedade: A boneca pode se tornar um foco de atenção, diminuindo comportamentos como perambulação (andar sem rumo) e inquietação.
  • Estímulo da Expressão Emocional: Mesmo com a dificuldade de comunicação verbal, o idoso pode expressar afeto, cuidado e outras emoções através da interação com a boneca.
  • Resgate de Memórias Afetivas: A boneca pode despertar lembranças da infância, da criação de filhos, trazendo à tona sentimentos positivos e acalmando.
  • Melhora do Humor: O ato de abraçar, acalentar e cuidar da boneca pode liberar hormônios ligados ao bem-estar, melhorando o humor do idoso.
  • Diminuição da Sensação de Solidão: A boneca pode se tornar uma companheira, oferecendo uma sensação de presença e reduzindo o isolamento.

Como Introduzir a Terapia da Boneca?

  • Apresente a Boneca com Calma: Deixe a boneca à vista do idoso e deixe ele se aproximar no seu tempo, sem forçar a interação. É uma terapia válida para homens e mulheres.
  • Escolha uma Boneca Realista: As bonecas com características faciais e peso semelhantes a um bebê costumam ser mais eficazes (não obrigatoriamente deve ser um bebê reborn)
  • Observe a Reação: Esteja atento às expressões e comportamentos do idoso ao interagir com a boneca.
  • Incentive o Cuidado: Ofereça oportunidades para o idoso pentear o cabelo da boneca, trocar a roupa, dar “comida”, etc.
  • Respeite a Individualidade: Nem todos os idosos irão se conectar com a boneca, e isso é perfeitamente normal. Não force a interação se houver resistência.

E para os Idosos Lúcidos?

É importante ressaltar que a Terapia da Boneca é mais direcionada para idosos com algum grau de demência. Para idosos lúcidos, outras abordagens terapêuticas que estimulem a cognição, a socialização e a atividade física podem ser mais adequadas. No entanto, em alguns casos, uma boneca terapêutica pode trazer conforto e companhia mesmo para idosos sem demência, especialmente aqueles que se sentem sozinhos ou que têm um histórico de gostar de cuidar de crianças. A chave é a individualização do cuidado e a observação das necessidades de cada um.

Dicas Importantes para Cuidadores:

  • Seja Paciente: A adaptação à boneca pode levar tempo.
  • Seja Observador: As reações do idoso são a melhor guia.
  • Seja Flexível: Adapte a abordagem às necessidades, uma vez que, em alguns momentos, o idoso pode reconhecer que é uma boneca e não apresentar interesse. Caso isso aconteça, respeite e não force. 
  • Compartilhe Experiências: Trocar informações com outros cuidadores e profissionais pode enriquecer o cuidado.

A Terapia da Boneca é mais uma ferramenta valiosa no cuidado de idosos com Alzheimer e outras demências. Com sensibilidade e atenção, podemos proporcionar mais momentos de paz e bem-estar para aqueles que tanto amamos e cuidamos.

Referências:

  • ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. World Alzheimer Report 2021: Journey through the diagnosis of dementia. London: ADI, 2021. Disponível em: https://www.alz.co.uk/research/world-report-2021.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. (Cadernos de Atenção Básica, n. 19).
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
  • FREITAS, Elizabete Viana de; PY, Ligia (org.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030): Relatório de linha de base. Genebra: OMS, 2020.
  • PERRACINI, Monica Rodrigues; FLÓ, Cláudia (org.). Avaliação Gerontológica Abrangente. São Paulo: Atheneu, 2019.
  • REBELLATO, Carolina; GOMES, Margareth Cristina de Almeida; CRENITTE, Milton Roberto Furst (org.). Introdução às velhices LGBTI+. Rio de Janeiro: Fólio Digital, 2021.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Estatuto da Pessoa Idosa: Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (atualizado até a Lei nº 14.423 de 2022). Rio de Janeiro: SBGG, 2023.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. Integrated care for older people (ICOPE): guidance for person-centred assessment and pathways in primary care. 2. ed. Geneva: WHO, 2024.
Facebook
LinkedIn
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *