A Doença Silenciosa dos Ossos: Tudo que Você Precisa Saber sobre Osteoporose

Olá, pessoal! Vamos falar de osteoporose, a doença que não dói, mas que pode mudar drasticamente a sua vida e a de quem você cuida. A saúde óssea é um tema central no envelhecimento saudável.

A osteoporose é a doença óssea de maior prevalência entre idosos. Ela é conhecida por ser uma doença metabólica que diminui a massa óssea e altera a microarquitetura dos ossos, o que os torna frágeis. Infelizmente, na maioria das vezes, essa condição é assintomática. As pessoas só descobrem que a têm quando ocorre o pior: uma fratura, muitas vezes causada por um risco de queda que poderia ser evitado.

É crucial ter em mente que o objetivo principal do cuidado não é apenas o tratamento, mas sim a prevenção das fraturas que a osteoporose pode causar.

Por Que a Osteoporose é um Assunto de Família?

A osteoporose não afeta apenas o osso. Ela desencadeia o que chamamos de “Efeito Dominó”, onde uma condição leva à outra, aumentando a vulnerabilidade do idoso.

Fatores de Risco e Prevalência

É importante saber que a osteoporose não é uma condição universal; ela acomete mais intensamente alguns grupos, sendo mais comum e acentuada em mulheres.

Mulheres:

• A perda de massa óssea em mulheres se acelera drasticamente nos primeiros cinco anos após a menopausa, podendo chegar a uma perda de 5% a 10% anualmente nesse período,.

• A prevalência aumenta progressivamente com a idade: mulheres entre 50 e 59 anos têm cerca de 20% de chance, mas na faixa dos 80 aos 89 anos, pode afetar 82% delas.

Fatores de Risco Modificáveis (Onde Podemos Agir):

Imobilidade e Sedentarismo: A falta de atividade física e a imobilização prolongada são grandes fatores de risco.

Dieta: Baixa ingestão de Cálcio e Vitamina D.

Hábitos de Vida: O uso de tabaco e o consumo excessivo de álcool (mais de três unidades por dia) contribuem para a perda óssea.

Medicamentos: O uso crônico de medicamentos, como os glicocorticoides é um fator de risco significativo.

O Grande Perigo: Fraturas e o Risco de Quedas

O maior temor da osteoporose é a fratura, e a mais devastadora de todas é a fratura de quadril (fêmur proximal).

1. Mortalidade e Dependência: Idosos que sofrem fratura de quadril têm uma alta taxa de mortalidade no primeiro ano (entre 20% a 30% nos primeiros seis meses). Além disso, 80% perdem a capacidade de realizar pelo menos uma atividade básica de vida diária (ABVD), e até 20% podem ser institucionalizados.

2. O Risco de Fratura Múltipla: A osteoporose aumenta o risco de fraturas em quatro vezes. Se o idoso já teve uma fratura vertebral, ele tem duas a três vezes mais risco de sofrer dor na coluna, incapacidade funcional e morte precoce.

3. A Causa Predominante: Cerca de 90% das fraturas de quadril em idosos ocorrem por quedas, na maioria das vezes, da própria altura. Portanto, prevenir a osteoporose é, na prática, prevenir quedas.

O Caminho da Prevenção e do Cuidado

O tratamento da osteoporose não é apenas medicamentoso. Ele exige uma abordagem multimodal, com foco em mudanças de estilo de vida e exercício físico.

1. Exercício Físico e Força Muscular

A poupança de músculo é uma das maiores formas de proteção que o idoso pode ter.

Treinamento Resistido é Fundamental: Exercícios que impõem carga aos ossos (como a musculação) são cruciais para a saúde óssea, devendo ser realizados, no mínimo, três vezes por semana,.

Combater a Sarcopenia: Músculos fracos (sarcopenia) levam a um estímulo mecânico menor, o que agrava a perda óssea. A dupla osso frágil + músculo fraco aumenta drasticamente o risco de quedas, por isso, o treinamento de força muscular, principalmente do tronco, é a principal intervenção para prevenir fraturas vertebrais, melhorar a postura e o controle postural.

Foco no Chão: Exercícios aquáticos, embora bons para as articulações, não trazem resultados satisfatórios para o aumento da Densidade Mineral Óssea (DMO); os exercícios em solo são mais eficazes.

2. Nutrição e Suplementação

Cálcio e Vitamina D: A ingestão mínima recomendada de Cálcio para homens e mulheres acima de 50 anos é de 1000 mg/dia, e de Vitamina D é de 800 UI/dia. O nutricionista é o profissional indicado para te ajudar a inserir essas quantidades em sua dieta. A suplementação só dever ser feita por recomendação de médico ou nutricionista.

Proteína: A ingestão proteica adequada também é importante para a saúde musculoesquelética.

3. Ambiente e Estilo de Vida

Prevenção de Quedas: Como 90% das fraturas de quadril ocorrem por quedas, a adaptação ambiental é vital: elimine tapetes soltos, fios e garanta boa iluminação em casa. O uso de calçados fechados e antiderrapantes é essencial para a segurança.

Monitoramento: A perda de altura superior a 2 cm nos últimos 3 anos é um sinal de alerta e sugere a necessidade de radiografia para confirmar fratura vertebral. Em quadros de osteoporose, pequenas fraturas vertebrais podem acontecer sem sintoma de dor forte.

A Abordagem Personalizada: Lúcidos vs. Demência

O cuidado da osteoporose e a prevenção de fraturas devem ser adaptados à capacidade cognitiva e funcional do idoso, respeitando suas escolhas e limitações.

Idosos Lúcidos: Autonomia e Consciência da Escolha

O idoso lúcido mantém sua autonomia, ou seja, a capacidade de tomar decisões sobre o próprio tratamento, e deve ser envolvido na decisão compartilhada do manejo da doença.

Diálogo e Consequências: Se o idoso lúcido resiste ao tratamento (como a fisioterapia ou suplementação), você deve apresentar as consequências de suas escolhas, como o risco de fratura e a perda de funcionalidade, mas respeitar sua liberdade.

Participação Ativa: Incentive a participação em programas de exercício físico que o agradem, garantindo que ele compreenda o papel ativo que desempenha na manutenção da sua saúde.

Idosos com Demência (Alzheimer ou Outras): Segurança e Estratégias Não Farmacológicas

No caso de idosos com demência, a abordagem muda, pois a capacidade de julgamento e a memória estão comprometidas.

1. Risco Aumentado: A demência ou o declínio cognitivo são fortes fatores de risco para quedas. A imobilidade causada pela progressão da demência, AVC ou Doença de Parkinson é um fator agravante para o quadro de osteoporose.

2. Comunicação e Dor: O idoso com demência pode não conseguir verbalizar a dor de forma clara (afasia), manifestando-a através de agitação ou agressividade. Uma agitação súbita deve ser investigada, pois pode ser causada por dor.

3. Manejo do Comportamento: Use estratégias não farmacológicas para lidar com a resistência a exercícios ou suplementos:

    ◦ Distração: Mude o foco de atenção para atividades que ele gostava ou o façam sentir-se útil (ex: jardinagem, dobrar roupas).

    ◦ Rotina: Mantenha horários e atividades fixas; a rotina traz segurança e reduz a agitação.

Referências:

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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Orientações técnicas para a implementação de Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa no Sistema Único de Saúde – SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.

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FREITAS, Elizabete Viana de; PY, Ligia. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Guia de Vacinação Geriatria SBIm/SBGG 2023/2024. Rio de Janeiro: SBGG, 2023.

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