Atividades para idosos com demência: mantendo a mente ativa e o coração feliz

Cuidar de idosos com Alzheimer ou outras demências é um desafio que exige criatividade e muita paciência. Profissionais e familiares sabem que manter a mente ativa e o espírito elevado faz toda a diferença na qualidade de vida deles. Não se preocupe, não é preciso ser um especialista para oferecer atividades significativas. A chave é simplicidade, segurança e carinho.

Por que atividades são tão importantes para quem tem demência?

Mesmo com a perda de memória e outras funções cognitivas, a estimulação mental e física continua sendo vital. As atividades ajudam a:

  • Manter habilidades existentes: atrasando a perda de funções.
  • Melhorar o humor: reduzindo a agitação e a ansiedade.
  • Fortalecer o vínculo: criando momentos de conexão e afeto.
  • Estimular os sentidos: visão, tato, audição, olfato e paladar.

Lembre-se: o objetivo não é que o idoso “aprenda” algo novo, mas sim que participe, se divirta e sinta-se valorizado.

Sugestões de atividades práticas para idosos com demência

Quando falamos de demência, precisamos adaptar as atividades ao estágio da doença e às capacidades do idoso. Cada pessoa é única, então o que funciona para um pode não funcionar para outro.

Atividades que estimulam a memória (mesmo que a curto prazo)

  • Álbuns de fotos e histórias de vida: Folhear álbuns de fotos antigas. Veja se a pessoa idosa consegue identificar pessoas e lugares, mesmo que ele misture as informações. O importante é o momento de conexão e a evocação de sentimentos. Não pergunte se ele se lembra, mas diga: “Olha, quando fomos viajar para a praia”
  • Músicas antigas: Coloque as músicas favoritas da juventude do idoso. A música tem um poder incrível de ativar memórias e emoções. Cantem juntos, batam palmas, dancem.
  • Caixa de memórias: Junte objetos com significado: uma bijuteria, um lenço, uma ferramenta, um brinquedo. Peça para ele descrever o objeto e o que ele lembra.
  • Jogos de tabuleiro simples: Dominó, jogo da velha ou quebra-cabeças com poucas peças e figuras grandes. O foco é a participação, não a competição.

Atividades que estimulam os sentidos e a coordenação

  • Jardinagem leve: Se possível, deixe o idoso mexer com terra, plantar sementes grandes (como feijão) ou regar plantas. O contato com a natureza é terapêutico.
  • Pintura e desenho simples: Ofereça lápis de cor, giz de cera ou tinta atóxica. Não espere obras de arte, mas sim a expressão e o movimento das mãos.
  • Culinária simples: Preparar um bolo, enrolar brigadeiros, lavar uma fruta, ou até mesmo sentar ao lado e “ajudar” a mexer algo na panela (com segurança).
  • Artesanato com materiais seguros: Fazer colares com macarrão, colar botões em um papel, montar um pequeno arranjo floral.
  • Dobrar roupas ou guardanapos: Uma tarefa simples do dia a dia que estimula a coordenação motora fina.
  • Jogar bola macia: Sentado ou em pé, jogar uma bola macia para um lado e para o outro estimula a coordenação e a atenção.

Atividades que fomentam o bem-estar e a conexão

  • Leitura de textos curtos e simples: Escolha livros de poesia, histórias infantis ou trechos de jornais com letras grandes. Leia para ele e observe as reações.
  • Contar histórias: Peça para o idoso contar histórias, mesmo que elas sejam confusas ou repetitivas. A escuta ativa e o incentivo são valiosos.
  • Passeios curtos e seguros: Uma volta no quarteirão ou no jardim. A mudança de ambiente e o contato com o ar livre são revigorantes.
  • Dança suave: Coloque uma música animada e convide para dançar suavemente, mesmo que sentados. O ritmo e o movimento são relaxantes.
  • Interação com animais de estimação: Se houver um pet amigável, o contato pode trazer muita alegria e acalmar o idoso.

Dicas importantes para aplicar as atividades

  • Adapte sempre: O mais importante é adaptar a atividade ao estágio da demência e ao humor do idoso no dia. Se ele não quiser, não force.
  • Conheça a história de vida deste idoso: Traga proposta de atividade que façam sentido para o idoso em relação à sua história de vida. Atividades aleatórias ou que ele nunca executou tem mais probabilidade dele não acatar.
  • Ambiente calmo e sem distrações: Evite barulho excessivo ou muitas pessoas ao redor.
  • Seja paciente e flexível: Haverá dias bons e dias ruins. Não se frustre se uma atividade não der certo. Tente de novo em outro momento.
  • Foque no processo, não no resultado: O importante é a participação e o engajamento, não a perfeição da tarefa.
  • Use frases simples e curtas: “Vamos pintar?” “Olhe o álbum.”
  • Incentive e elogie: Reforce o esforço, não o desempenho. “Que lindo que você está se esforçando!”
  • Ofereça escolhas limitadas: Em vez de “O que você quer fazer?”, pergunte “Quer pintar ou ouvir música?”. Isso facilita a decisão.
  • Mantenha a segurança: Sempre supervisione as atividades e garanta que o ambiente seja seguro.

Para a construção das referências bibliográficas do texto fornecido, seguindo as normas da ABNT (NBR 6023) e utilizando os documentos selecionados, seguem as referências correspondentes:

Referências:

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Ministério da Saúde

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2007. (Cadernos de Atenção Básica, n. 19).
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br. Acesso em: 15 jan. 2026.

Alzheimer’s Disease International

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Estatuto da Pessoa Idosa: 20 anos. Rio de Janeiro: SBGG, 2023.
  • FREITAS, E. V.; PY, L. (org.). Tratado de geriatria e gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.

Artigos Científicos e Diretrizes Recentes (últimos 2-3 anos)

  • ALEXANDRE, T. S. Exercício físico e sarcopenia: padrão de referência e objetivos de tratamento. In: PROVA de Título de Especialista em Fisioterapia em Gerontologia, 2023. São Paulo: ABRAFIGE, 2023.
  • MONTERO-ODASSO, M. et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults: a global initiative. Age and Ageing, [s. l.], v. 51, n. 9, p. 1-36, 2022. DOI: https://doi.org/10.1093/ageing/afac205.
  • LIVINGSTON, G. et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. The Lancet, [s. l.], v. 396, n. 10248, p. 413-446, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30367-6.
  • BRUM, P. S. et al. Efficacy of working memory training in older adults with low education: a randomized controlled trial. Frontiers in Medicine, [s. l.], 2020. DOI: https://doi.org/10.3389/fmed.2020.00000.
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