Atividades para idosos para pessoas idosas cadeirantes, com déficit visual e acamados

Como cuidadores, vocês sabem que manter o idoso ativo é essencial para o bem-estar, mesmo com limitações físicas ou cognitivas. O desafio é adaptar as atividades para que todos possam participar e se sentir incluídos. Vamos explorar algumas ideias práticas e eficazes para idosos cadeirantes, com déficit visual e acamados, sempre com um olhar atento para as diferenças entre idosos lúcidos e aqueles com quadro de demência.

Por que manter o idoso ativo, mesmo com limitações?

Muitas vezes, quando o idoso tem alguma limitação, a tendência é reduzir as atividades. No entanto, o engajamento em atividades adaptadas previne a depressão, melhora a autoestima e pode até desacelerar o declínio cognitivo. Para idosos acamados, por exemplo, até mesmo a estimulação sensorial ou uma conversa pode fazer uma grande diferença. Pesquisas mostram que a participação em atividades recreativas está ligada a uma melhor qualidade de vida na terceira idade, independentemente do nível de funcionalidade (Netuveli et al., 2008).

Adaptação é a chave

Lembre-se: o objetivo não é a perfeição, mas a participação e o prazer. Pequenas adaptações podem transformar uma atividade simples em um momento de alegria e conexão.

Dicas de atividades adaptadas

Vamos ver como adaptar as atividades, sempre pensando na segurança e no conforto.

Para idosos cadeirantes: foco na movimentação superior e engajamento social

Manter o idoso cadeirante ativo é crucial para a circulação, força dos membros superiores e prevenção de úlceras de pressão.

  • Exercícios na cadeira: Incentive movimentos de braços e pernas (mesmo que com pouca amplitude), alongamentos e rotações leves do tronco. Fisioterapeutas podem orientar exercícios específicos. Artigos científicos destacam que exercícios adaptados melhoram a funcionalidade e o humor em idosos com mobilidade reduzida (Resende et al., 2019).
  • Atividades manuais e cognitivas: Jogos de tabuleiro, cartas, quebra-cabeças com peças grandes, tricô, crochê, pintura ou desenho. Envolver as mãos e a mente é excelente para a estimulação cognitiva do idoso. No caso de idosos com alguma demência é importante conhecer sua capacidade cognitiva para estimular com atividades que ele seja capaz de executar.
  • Passeios ao ar livre: Leve o idoso para passear em parques, shoppings e calçadões. Mudar de ambiente e interagir com outras pessoas é fundamental para o bem-estar social do idoso.
  • Culinária adaptada: Ele pode ajudar a separar ingredientes, descascar legumes, mexer uma massa ou decorar um bolo.
  • Tarefas de casa: Peça que te ajude dobrar toalhas, meias, panos de prato, tirar poeira de objetos, organizar gaveta, escolher feijão e outras mais que ele seja capaz.
  • Exploração sensorial: Ofereça objetos de diferentes texturas para ele tocar, blocos de montar coloridos ou até potes com cheiros variados (flores, temperos).
  • Música e ritmo: Coloque músicas que o idoso gostava na juventude. Incentive-o a bater palmas ou balançar os pés no ritmo. A musicoterapia é eficaz para reduzir a agitação e melhorar o humor em idosos com demência (Raglio et al., 2013).
  • Interação com animais de estimação: Se possível e seguro, o contato com animais pode trazer muito conforto e estímulo.

Para idosos com déficit visual: estimule os outros sentidos

A perda da visão não significa o fim das atividades. Pelo contrário, é uma oportunidade para explorar e fortalecer os outros sentidos.

  • Leitura de audiolivros e podcasts: Ofereça uma variedade de temas, de histórias a documentários. Muitos serviços oferecem audiolivros gratuitos.
  • Atividades manuais com textura: Trabalhos com argila, massinha, tricô, montagem de bijuterias com contas grandes. A exploração tátil é muito rica.
  • Jardinagem adaptada: Se ele gostava, crie um pequeno jardim em vasos com plantas aromáticas (hortelã, alecrim) ou flores de texturas diferentes. O tato e o olfato são muito explorados aqui.
  • Culinária guiada: Com auxílio, ele pode ajudar a sentir e reconhecer os alimentos, misturar ingredientes e sentir os aromas.
  • Música e sons da natureza: Coloque músicas calmas, sons de chuva, pássaros ou mar. Isso pode ser relaxante e evocar memórias. Escolha músicas que este idosa gostava quando mais jovem, inicie a canção e peça que ele continue.
  • Objetos sensoriais seguros: Ofereça objetos com texturas variadas e peça que ele diga o que sente ao tocar este objeto. O tato é um sentido fundamental para a conexão.
  • Aromaterapia suave: Use difusores com óleos essenciais leves (lavanda, camomila), sempre com moderação e observando a reação do idoso. Dê-lhe alimentos com cheiro característico como ervas, temperos, frutas e peça para ele dizer o que é.
  • Conversas e descrição: Converse com o idoso, descrevendo o ambiente, as pessoas e o que está acontecendo ao redor. Use uma linguagem clara e carinhosa.

Para idosos acamados: pequenos gestos, grandes impactos

Mesmo o idoso acamado precisa de estímulo para evitar a apatia e a depressão. O foco está na estimulação sensorial, no conforto e na manutenção da conexão humana.

  • Leitura em voz alta: Leia livros, revistas, jornais ou até cartas de amigos e familiares. Mantenha-o informado e engajado com o mundo exterior.
  • Música e podcasts: Ofereça fones de ouvido para uma experiência mais imersiva, se ele gostar. Permita que ele escolha o que quer ouvir.
  • Conversas significativas: Converse sobre a vida dele, memórias, histórias de família. Pergunte sobre seus sentimentos e pensamentos. A interação social para idosos é vital.
  • Massagens leves: Massagens suaves nos pés, mãos ou cabeça podem ser muito relaxantes e terapêuticas, melhorando a circulação e o humor. Segurar a mão, acariciar o cabelo. O toque é uma forma poderosa de comunicação não verbal e de carinho.
  • Estímulo visual suave: Posicione objetos de arte, fotos de família ou um aquário próximo à cama, se possível. Mudar a posição da cama para que ele possa ver a paisagem da janela também ajuda.
  • Estímulo auditivo suave: Coloque canções que ele sempre gostou, recite poemas ou simplesmente converse com voz calma e afetuosa.
  • Aromas familiares: Se ele gostava de café, flores ou algum perfume específico, traga esses aromas para perto, sempre com moderação.
  • Mantenha o ambiente limpo e agradável: Um ambiente organizado, com boa ventilação e iluminação adequada, contribui para o bem-estar geral, mesmo para quem está acamado.

Atenção e paciência: seus melhores aliados

Sempre observe as reações do idoso. Nem toda atividade será bem recebida em todos os dias. Seja flexível, respeite o ritmo e as preferências dele. A persistência, aliada à paciência e ao carinho, faz toda a diferença na promoção da autonomia e da dignidade na velhice. Lembre-se, o objetivo é a qualidade, não a quantidade de atividades.

Referências:

ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. World Alzheimer Report 2019: Attitudes to dementia. London: Alzheimer’s Disease International, 2019. Disponível em: https://www.alzint.org/u/WorldAlzheimerReport2019. Acesso em: 16 jan. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderno de Atenção Básica n. 19: envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).

BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC n. 502, de 27 de maio de 2021. Dispõe sobre o funcionamento de Instituição de Longa Permanência para Idosos, de caráter residencial. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 101, p. 110, 31 maio 2021.

FREITAS, E. V.; PY, L. (org.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.

NETUVELI, G. et al. Quality of life at older ages: evidence from the English longitudinal study of ageing (wave 1). Journal of Epidemiology & Community Health, v. 60, n. 4, p. 357-363, 2006.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde. Genebra: OMS, 2015. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/186468/WHO_FWC_ALC_15.01_por.pdf. Acesso em: 16 jan. 2026.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Integrated Care for Older People (ICOPE): guidance for person-centred assessment and pathways in primary care. 2. ed. Geneva: World Health Organization, 2019.

RAGLIO, A. et al. Music therapy in development of dementia: what is the evidence? Alzheimer Disease & Associated Disorders, v. 27, n. 3, p. 285-286, 2013.

RESENDE, E. P. F. et al. Estilo de vida ativo e cognição na velhice. In: FREITAS, E. V.; PY, L. (org.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. cap. 137.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Estatuto da Pessoa Idosa: 20 anos. Rio de Janeiro: SBGG, 2023.

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