Você já reparou que, às vezes, esquecemos onde deixamos a chave de casa ou o nome de alguém que não vemos há tempos? Isso é perfeitamente comum. No entanto, quando pequenos esquecimentos passam a impactar a rotina, o trabalho e a autonomia, acende-se um sinal de alerta. É justamente para jogar luz sobre esse tema que existe o Setembro Lilás, o mês mundial de conscientização sobre a Doença de Alzheimer.
Durante todo este mês, nós nos unimos a essa causa para trazer conhecimento claro e acolhedor para você, que é cuidador familiar ou profissional. Afinal, informação de qualidade é a melhor ferramenta para oferecer um cuidado humanizado e sem sobressaltos.
O Cenário Global e Brasileiro: O Que Dizem os Números?
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, responsável por cerca de 50% a 70% dos casos. De acordo com dados da Alzheimer’s Disease International e da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 55 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo. Com o envelhecimento populacional acelerado, estimativa apresentada pelo Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) indica que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas viviam com demência no país em 2025.
O grande desafio, porém, está naquilo que não vemos. Um estudo nacional recente de base populacional, fundamentado nos dados do ELSI-Brasil, revelou um dado alarmante: cerca de 83,1% dos idosos brasileiros que preenchem os critérios para demência não possuem um diagnóstico médico prévio. Ou seja, quatro em cada cinco idosos vivem com a condição sem saber ou sem receber o acompanhamento adequado.

A Dificuldade do Diagnóstico: Não é “Coisa da Idade”
Por que é tão difícil chegar ao diagnóstico? O maior obstáculo é o preconceito e a falta de informação. Muitas famílias acreditam que a perda de memória, a confusão mental e as alterações de humor são consequências “naturais” do envelhecimento — o que chamam de caduquice ou “coisa da idade”.
Trabalhos científicos apontam que o início da doença é frequentemente confundido com o processo normal de envelhecimento pelos próprios familiares, o que atrasa a busca por avaliação médica especializada. Envelhecer não significa perder a capacidade de raciocinar ou de cuidar de si.
É fundamental estar atento às mudanças de comportamento, tais como:
- Repetir a mesma pergunta várias vezes no mesmo dia.
- Dificuldade para realizar tarefas cotidianas que antes eram simples, como cozinhar ou pagar contas.
- Desorientação no tempo e no espaço (não saber em que dia está ou se perder em locais conhecidos).
- Alterações repentinas de humor, apatia, agressividade ou desconfiança infundada.
Pessoas Lúcidas x Quadro de Demência: Respeitando as Individualidades
Ao cuidar de uma pessoa idosa, precisamos ter muito clara a diferença entre o idoso lúcido (com suas limitações físicas naturais da idade) e o idoso que apresenta um quadro de demência.
- Idosos Lúcidos: Mantêm sua autonomia, o poder de decisão sobre suas vidas e o pleno domínio de suas faculdades mentais. As diretrizes do Estatuto da Pessoa Idosa garantem a eles o direito de optar pelos tratamentos que lhes forem mais favoráveis.
- Idosos com Demência: Apresentam perda progressiva da autonomia e da independência. Nesses casos, o plano de cuidado exige suporte constante para as Atividades Básicas da Vida Diária (como banho, alimentação e higiene) e proteção jurídica ou familiar quando a capacidade de discernimento estiver comprometida.
Entender essa distinção evita tanto a superproteção desnecessária com o idoso lúcido quanto a negligência involuntária com o idoso demenciado.

Acompanhe o Nosso Blog Neste Setembro Lilás!
Este é apenas o primeiro passo da nossa jornada durante este mês. Não esgotaremos o assunto aqui! Ao longo de todo o Setembro Lilás, traremos conteúdos práticos sobre o manejo de comportamentos difíceis, dicas para evitar a sobrecarga do cuidador, adaptações da casa e direitos garantidos por lei.
Convidamos você a acompanhar nossas publicações semanais, deixar seus comentários e compartilhar este conteúdo com outros cuidadores. Cuidar de quem cuidou de nós é um ato de amor, e você não precisa caminhar sozinho!
Palavras-Chave:
Setembro Lilás, Doença de Alzheimer, Sintomas do Alzheimer, Diagnóstico de Demência, Cuidador de Idosos, Saúde do Idoso, Envelhecimento Saudável, Cuidado Familiar, Capacidade Funcional.
Referências
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- MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006. Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006.
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- MIGUEL, A. C. C. et al. Desigualdades no Diagnóstico de Demência: Evidências do Estudo ELSI-Brasil. [S. l.: s. n.], 2026.
- PAVARINI, S. C. I. et al. Cuidando de idosos com Alzheimer: a vivência de cuidadores familiares. Revista Eletrônica de Enfermagem, Goiânia, v. 10, n. 3, p. 580-590, 2008.
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- FREITAS, E. V.; PY, L. (ed.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.