O Frio Chegou e as Dores Aumentaram? Entenda o Motivo e Saiba Como Proteger Quem Você Cuida

Com a chegada do inverno, é muito comum ouvirmos reclamações de que os ossos, as articulações e os músculos estão doendo mais. Se você é cuidador familiar ou profissional, com certeza já notou que os idosos parecem ficar mais “travados” ou desconfortáveis nesta época do ano. No entanto, antes de entendermos o que acontece no corpo humano durante o frio, precisamos fazer uma diferenciação fundamental sobre como a dor se manifesta em pessoas idosas.

Por um lado, as pessoas idosas lúcidas conseguem identificar a dor com precisão, apontar o local exato do incômodo e pedir ajuda direcionada. Por outro lado, quando o idoso apresenta algum quadro de demência, como a Doença de Alzheimer, ele perde a capacidade de comunicar o sofrimento físico através de palavras. Nesses casos, a dor se transforma em alterações comportamentais, como irritabilidade, recusa para andar, isolamento ou crises de agitação motora.

Portanto, entender por que sentimos mais dores no inverno ajuda você a prevenir crises e a interpretar melhor os sinais silenciosos de quem você ama. Vamos descobrir o que a ciência diz sobre isso?

Quais são as dores mais comuns no inverno?

Durante os meses mais frios, o consultório de geriatras e ortopedistas costuma lotar. As queixas principais concentram-se em:

  • Dores articulares (nas juntas): Piora intensa nos sintomas de artrose, artrite e reumatismo, afetando principalmente joelhos, quadris e mãos.
  • Dores na coluna: Rigidez e incômodo na região lombar (parte de baixo da coluna) e cervical (pescoço).
  • Dores e contraturas musculares: Aquela sensação de músculos tensos, doloridos e com presença de “nós” de tensão nos ombros e nas costas.

Por que sentimos mais dor no frio? A explicação científica

Não se trata de uma impressão ou mito popular; o aumento da dor no inverno possui comprovação científica detalhada. Estudos publicados na base de dados PubMed explicam que o nosso organismo ativa mecanismos biológicos de defesa para reter calor quando a temperatura ambiente despenca (SANTOS et al., 2023). Entenda o processo de forma simples:

1. Vasoconstrição e rigidez muscular

Para manter os órgãos vitais aquecidos, o cérebro ordena que os vasos sanguíneos das extremidades (mãos, pés e pele) se contraiam — um processo chamado de vasoconstrição. Como resultado, a circulação de sangue nos músculos e articulações diminui. Sem sangue circulando adequadamente, os músculos tornam-se menos elásticos e mais rígidos, o que favorece as dolorosas contraturas e espasmos musculares.

2. O “lubrificante” das juntas fica mais grosso

Dentro das nossas articulações existe um líquido chamado Líquido Sinovial, que funciona como um “óleo lubrificante” para os ossos não rasparem uns nos outros. No frio, esse líquido se torna mais viscoso e espesso. Consequentemente, as articulações perdem flexibilidade e o atrito aumenta, gerando aquela sensação de rigidez e dor ao tentar se movimentar pela manhã.

3. Mudanças na pressão barométrica

Quando o tempo esfria, a pressão do ar ao nosso redor (pressão barométrica) também muda. Essa oscilação faz com que os tecidos do corpo, como tendões e músculos, sofram uma leve expansão interna. Em um joelho que já apresenta artrose, por exemplo, essa expansão microscópica pressiona ainda mais as terminações nervosas, disparando os alarmes de dor no cérebro.


O perigo invisível da automedicação nos idosos

Diante de tanta queixa de dor, a primeira reação de muitos cuidadores e familiares é recorrer à caixinha de remédios da casa. Contudo, a automedicação esconde riscos gravíssimos, especialmente para a população idosa.

O uso indiscriminado de anti-inflamatórios comuns (como diclofenaco, ibuprofeno ou cetoprofeno) pode provocar lesões renais agudas, sangramentos no estômago, úlceras e aumento perigoso da pressão arterial. Pesquisas de farmacovigilância alertam que a automedicação é uma das principais causas de internação hospitalar por reações adversas no idoso (SILVA; OLIVEIRA, 2022). Desse modo, nunca medique o idoso sem a expressa autorização do médico responsável.


Soluções acessíveis: O poder do movimento e da hidratação

Felizmente, existem estratégias naturais, baratas e extremamente eficientes para reduzir as dores e devolver o conforto no inverno. O segredo para vencer o frio está em duas palavras-chave: movimento e hidratação.

Pratique o movimento inteligente

Quando o idoso sente dor, a tendência natural é querer ficar deitado e imóvel. O repouso prolongado piora a rigidez articular e enfraquece os músculos. O movimento atua como um remédio biológico: ele estimula a circulação, bombeia sangue para as articulações e reaquece o corpo de dentro para fora.

  • Como fazer: Incentive alongamentos leves logo pela manhã, ainda na cama. Faça pequenas caminhadas dentro de casa ao longo do dia e estimule exercícios sentados na cadeira, como esticar e dobrar as pernas ou girar os ombros. Para idosos com maior mobilidade, incentive caminhadas mais longas no quarteirão ou exercícios direcionados como Pilates, Funcional ou academia.

Não descuide da hidratação no inverno

No frio, a sensação de sede diminui drasticamente, fazendo com que os idosos bebam pouquíssima água. As pessoas esquecem que a desidratação deixa os músculos mais vulneráveis a cãibras, contraturas e fadiga. A água também compõe a estrutura do líquido sinovial; logo, um corpo desidratado terá juntas menos lubrificadas e mais doloridas.

  • Como fazer: Ofereça água em pequenas quantidades de hora em hora. Se o idoso oferecer resistência à água pura, diversifique oferecendo chás mornos aromatizados (como camomila ou erva-doce) e caldos de legumes nutritivos.

Use o calor local a seu favor

Bolsas de água morna, compressas térmicas ou o uso de roupas térmicas de algodão em camadas ajudam a relaxar a musculatura tensa e a dilatar os vasos sanguíneos, trazendo um alívio imediato e muito aconchegante para as regiões mais doloridas.

Cuidar de quem amamos no inverno exige um olhar atento e preventivo. Movimentando o corpo com carinho e mantendo a hidratação em dia, você transforma a estação fria em um período de bem-estar, conforto e muito acolhimento!


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Referências

SANTOS, M. R. et al. Mecanismos fisiopatológicos da piora de sintomas musculoesqueléticos durante frentes frias em idosos: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 26, n. 1, e230042, 2023.

SILVA, T. A.; OLIVEIRA, C. R. Perfil de automedicação e eventos adversos por anti-inflamatórios não esteroides em idosos assistidos na atenção primária. Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) – Relatos de Casos Clínicos, v. 14, n. 2, p. 89-102, 2022.

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